BRANCA SOUSA: DA PERIFERIA PARA O MUNDO: UMA REVOLUÇÃO ATRAVÉS DA DANÇA
Formada em Educação Física, pela AESET/FAFOPST, é a 3ª filha do casal supra citado, vindo à luz do mundo no dia 28 de março de 1994, sendo registrada com o nome de Danielza de Sousa Mariano, porém, desde pequena chamam-na de Branca, ao se consagrar artista, ela adotou o nome de Branca Sousa.
Assim como a família seguiu aumentando, a menina foi crescendo em graça e beleza, passando a estudar na Escola Municipal Nossa Senhora da Penha, concluindo o ensino fundamental 1; já o fundamental 2 e ensino médio, ela cursou na Escola de Referência em Ensino Fundamental e Ensino Médio Methódio de Godoy Lima; onde atualmente presta serviço como Professora de Arte e Cultura no Programa Escola Aberta.
Nesse grupo ela aprendeu os passos do Xaxado, a dança criada e difundida pelos cangaceiros e cangaceiras nos sertões do Nordeste brasileiro. "Fui dançarina no Maria Bonita durante três anos, fiz muitas amizades. Uma dessas, foi Iolanda Lúcia, através dela conheci o Ponto de Cultura Artes do Cangaço, onde eram ministradas aulas de danças populares, com as professoras Gorete e Leidjan, que coordenavam o Grupo de Danças Gilvan Santos”, hoje reconhecido como Ponto de Cultura. Relembra a artista.
Seu destaque nas aulas do Ponto de Cultura, foi notado rapidamente, pois sua desenvoltura e cadência para absolver passos e evoluir nas coreografias chamava atenção. Pouco tempo depois, foi convidada por Cleonice Maria, coreografa e diretora do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião para compor seu elenco principal.
“Com o Grupo de Xaxado Cabras de Lampião participo de Aulas – Espetáculos, que tem por objetivo fortalecer o Xaxado como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco em seu território de origem, bem como levar para as escolas a importância de valorizar a cultura nordestina. Essa atividade conta com a participação de Assisão, Cantor, Compositor, Patrimônio Vivo de Pernambuco e reconhecido em 2025 pela Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE com o título de Doutor Honoris Causa.
Desde 2009 integro o Ponto de Cultura Mistura Pernambucana, coordenado pelo Professor de Danças Populares Edilson Leite, apresentando diversos ritmos da cultura nordestina, no qual me sinto honrada em fazer parte, pois é o maior responsável pelo meu crescimento como dançarina, onde a cada ensaio e nas apresentações descubro um pouco mais sobre as danças apresentadas e, suas possibilidades de criação, além de testar constantemente os limites de meu corpo para transpor os passos, fazendo o espetáculo acontecer". Ressalta alegremente
A Branca dançarina, encontrou nos passos e ritmos populares sua inspiração para a vida, descobriu-se uma profissional da dança. Trabalha desde 2012 ministrando aulas de danças populares, inicialmente no Grupo infantil da Fundação Cultural Cabras de Lampião (FCCL), hoje, Ponto de Cultura Herdeiros do Xaxado.
Através do “Projeto Mais Educação” e “Novo Mais Educação”, deu aulas na Escola Irnero Ignácio (2014), Escola Municipal Nossa Senhora da Penha (2015), Escola Municipal Fausto Pereira, no distrito rural de Serra Talhada (Água Branca/Luanda), de 2015 a 2019, onde criou o Grupo de Danças Fausto Pereira, o qual continua em atividade, sob nova direção.
Prestou serviços ao SESC de Triunfo - PE de 2017 a 2018 ministrando aulas de Xaxado, Ciranda e Coco de Roda na Fábrica de Criação Popular e Reisado na Associação de Moradores do bairro do Rosário. Coordenou de 2016 a 2021 o Grupo de Xaxado Zabelê, formado por adolescentes de diversos bairros da cidade, recentemente o grupo foi certificado como Ponto de Cultura.
A artista atua diretamente com projetos e ações educativas com o frevo. Inicialmente como aluna no Curso “Transpondo o Passo”, incentivado pelo FUNCULTURA/FUNDARPE, tendo como idealizador o produtor Cultural Gil do Passo, que objetivou formar novos multiplicadores para o ensino da dança do Frevo na “Capital do Xaxado”, entre os meses de outubro de 2018 e janeiro de 2019. Contando com vários Professores de Frevo do estado de Pernambuco. Em 2020, foi convidada a ser Passista de Frevo no projeto “Frevo: (Re)Construindo Memórias de Nossa Cultura”, no qual o principal objetivo era promover ações de salvaguarda do Frevo enquanto Patrimônio Cultural e Imaterial da Humanidade.
A iniciativa foi uma Aula - Espetáculo com passistas, orquestra e palestrante/mestre de frevo. Isso a fez compreender sua trajetória profissional e lhe trouxe uma transformação pessoal impactada pelos conhecimentos adquiridos.
Ainda seguindo na linha do frevo participou do Documentário Frevo em Retrospecto que estreou em 2025, o documentário conta histórias dos fazedores do frevo da cidade de Serra Talhada - PE e a contribuição dos projetos do coletivo "Sertão Frevo", além de relatar histórias dos antigos carnavais da cidade do Produtor Cultura Gil Silva, contemplado pelo Edital Poeta Antônio Lima (Oliveiro Burrego) – Lei Paulo Gustavo – 2023.
“Participei do Podcast - Episódio #2: E tem frevo em Serra Talhada, é? Este podcast traz relatos emocionantes sobre ritmos, passos e folguedos vivenciados no sertão do Pajeú, mais especificamente na cidade de Serra Talhada, Pernambuco.
Entre os meses de agosto e novembro 2025 ministrei aulas de frevo para crianças e adolescentes no Projeto do Bloco Tô na Concha que será apresentado no domingo de carnaval 2026”. Em ações como Produtora Cultural consta o Projeto Serra Talhada em Ritmos Pernambucanos 2020 e 2021, um curso de Danças Populares que foi incentivado pela Fundação de Cultura do município,através da lei Aldir Blanc.
Projeto "O Boneco Gigante de Lampião e Outras Histórias de Frevo e de Carnaval" com os recursos da Lei Aldir Blanc de Pernambuco - 2021 Produção: Branca Sousa, Pesquisa: Gil do Passo, Direção de Conteúdo: Carlos Sett, Assistente de Produção: Hícaro Nogueira, também disponível no Youtube.
“Projeto Arte e Movimento, produzi e ministrei as oficinas de Danças Populares entres os meses de agosto e novembro de 2025, voltadas para os beneficiários do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) do distrito de Varzinha, em Serra Talhada–PE. Esta iniciativa foi realizada com o apoio do edital “Seleção de Espaços, Ambientes e Iniciativas Artístico-Culturais”, com os recursos da Lei Aldir Blanc Municipal.
Integra
com afinco a equipe de produção do Espetáculo “O Massacre de
Angico – A morte de Lampião”, desde sua 1ª temporada em 2012;
bem como, outros eventos de grande relevância para a “Capital do
Xaxado”, realizados pela Fundação Cultural Cabras de Lampião, tipo, o Encontro Nordestino
de Xaxado e o Tributo a Virgolino – A Celebração do Cangaço.
Em setembro de 2019 representou o Brasil com o Grupo de Xaxado Cabras de Lampião no Festival Internacional de Folclore Latino-americano na cidade do México, a turnê passou por diversas cidades mexicanas, incluindo Pachuca (capital do estado de Hidalgo).
“Participei da celebração dos 30 anos de história, resistência e muita cultura do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, evento que aconteceu na programação do 31º Janeiro de Grandes Espetáculos, no Teatro Santa Isabel na capital pernambucana em 2025 sendo o Grupo homenageado; me apresentei no Festival Cabras de Lampião 30 anos de Xaxado, realizado no Museu do Cangaço, sede do grupo desde 2009”. Ressalta a dançarina.
Sua primeira viagem à Europa foi também, através de sua brilhante atuação no Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, onde participou do FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL FOLKLORE no 67º CARNEVALE DI CASTROVILLARI, ITÁLIA, algo revolucionário e absolutamente inédito e extremamente positivo para o grupo e para os seus integrantes.
Em 2026 iniciou participando da oficina de Teatro Antropológico com o ator, produtor cultural e diretor Alexandre Guimarães e, Passista convidada do Projeto Movimento Frevo do Produtor Cultural Gil do Passo, com incentivo Funcultura/Fundarpe – Secretaria de Cultura/Governo de Pernambuco, realizado nos dias 15 e 16 de janeiro juntamente com os integrantes do Ponto de Cultura Arte e Movimento.
“A dança faz parte do que sou, é o que movimenta a minha existência. É parte fundamental da minha energia vital. Sou dança, não me vejo fazendo outra coisa. As danças populares causaram-me uma revolução e por ela, evoluo, driblo situações adversas e resgato pessoas em situação de vulnerabilidade. Dançar para mim, é revolução, é resistência, é ofício, é militância”. Afirma nossa entrevistada com a satisfação de quem faz o que gosta e gosta do que faz.
Por Carlos Sett
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