ADEILZA PEREIRA: UMA MULHER/PROFESSORA/POETISA FEITA DE VERSOS E RIMAS
“Sou oriunda de uma numerosa prole, sendo a 16ª filha de meus pais, onde somos 11 mulheres e 5 homens, Genelice, Luquinha, Maria de Lourdes, José, Maria, Manoel e Antônio já falecidos, e Genival, Bernadete, Severina, Aurelita, Maria das Graças, Elizabete, Gerino, Maria Aparecida e Eu, seguindo a peleja da vida”. Nos conta a sempre sorridente professora.
Sua vida escolar começou um pouco tarde, por ser uma criança
da roça, no entanto, por ter uma irmã professora, aprendeu a ler e
a escrever em casa. “Minha irmã Severina, a Billa como é
chamada me alfabetizou em casa, eu tinha pouco mais de 5 anos e
devido não existir escola perto frequentei o grupo escolar Epitácio
Pereira de Souza na Fazenda Prazeres (Distrito de Santa Rita) somente
aos 9 anos de idade, lá cursei a 1° e 2° série como era chamada
entre 1977/1978 com a professora que me alfabetizou, minha irmã
Billa.
Já a 3ª até a 8ª série, estudei na Escola Municipal Barão
do Pajeú no 2° distrito rural de Serra Talhada - Bernardo Vieira,
no período de 1979 a 1984, quando concluí o primeiro grau, assim
era chamado nesse período. Então, passei a estudar na sede do
município, frequentando o renomado Colégio Municipal Cônego
Tôrres, onde de 1985 a 1987, conclui minha primeira formatura no
Magistério, me tornando professora do primário, meu sonho desde da
infância”. Relembra a nossa
entrevistada.
No ano seguinte ela passou de aluna aplicada, à professora eficiente e ficou um tempo sem estudar, mas na vontade de fazer uma faculdade, o que veio a aconteceu em 2006. “Pois é, somente em 2006 iniciei a minha Graduação em Pedagogia terminando o curso em 2010, aí já emendei com a Pós-graduação: Licenciatura em Psicopedagogia, ambos pela Universidade de Pernambuco – UPE, Campus Petrolina”. Finaliza Adeilza sobre suas vivências como estudante exemplar.
Ao lhe indagar sobre fatos curiosos e/ou engraçados que viveu na infância, ela relata:
“Nesta época a gente morava no Sítio Barreiras, município de Araripina, foi uma alegria sem tamanho, minha mãe fez uma roupinha, vestido e chapéu, eu queria que fosse calça comprida, porém, mamãe achava difícil fazer” (Risos). “Eu balançava a boneca e ela chorava, eu dizia: Tá vendo mamãe, escuta! A boneca está me respondendo que não quer vestido. Ela diz: calça comprida, prida, prida...” (Risos novamente).
“Essa boneca de plástico que chorava virou a sensação da localidade, foi então, que resolvemos fazer a festa do batizado dela. Mamãe fez um lindo enxoval branco digno nota 10, chamou a vizinhança e debaixo de um enorme e frondoso juazeiro realizou-se a cerimônia, o padre foi o meu cunhado Nemézio, que vestiu uma batina, ele era esposo da minha irmã Bernadete que é conhecida como Irene, a mesa para o altar foi posta e ornamentada, teve também os padrinhos, porém não me recordo os nomes agora...” (Risadas e mais risadas) depois de uma tempo ela segue:
“Eu
era muito criança sabe, mas lembro... Eu com a boneca no colo
orgulhosa e feliz, respondendo para o padre que o nome dela era
Auricélia. Foi uma festa bonita teve comes e bebes e forró debaixo
desse juazeiro. Fui criada na simplicidade, porém, nunca me faltou
amor e afeto dos meus pais e meus irmãos. Como sou grata a Deus pela
família que me deste, Senhor”.
“Iniciei minha carreira no magistério em 1988 no grupo escolar José de Sousa Mangueira, construído na fazenda Jatobá de Bernardo Vieira. Em 1989 mudamos para Fazenda Prazeres, pertencente a Santa Rita e passei a lecionar no grupo escolar Waldemar Inácio de Oliveira, na Fazenda Barrinha. Já no ano de 1994, me casei e como meu esposo é natural de Bernardo Vieira, fui morar na Fazenda Cajazeira, (pertencente ao pai dele) e trabalhar na Escola Barão do Pajeú, onde tinha feito meus primeiros anos de estudos, uma alegria sem tamanho, ficando lotada ali, até 2006”.
Mantendo seu espírito em constante atividade e fazendo mudanças, sempre na perspectiva de melhoras para si e para os seus, ela se muda com a família para Serra Talhada e passa a lecionar no Assentamento Paraíso, localizado na Fazenda Cacimba Nova pertencente ao território de Bernardo Vieira, na Escola Municipal Constância Pereira de França.
“Em 24 de julho de 2014 assumi o concurso público e fui trabalhar na Escola São Joaquim na fazenda Cacimbinha de Caiçarinha da Penha, 3º distrito rural de nossa cidade, já no ano seguinte (2015) me transferiram pra creche Sagrada Família no bairro Multidão, onde fiquei por um ano, então, fui colocada para lecionar na Escola Enock Inácio de Oliveira, justamente no território onde nasci (Santa Rita) na qual estou trabalhando até hoje”. Folga em dizer, pois cada mudança lhe traz novo aprendizado e torna sua vocação de educadora mais valiosa e desenvolvida.
A jovem professora e poetisa Adeilza casou aos 25 anos com Jesus Mourato da Cruz em 30 de Janeiro de 1994, uma união conjugal de 30 anos, sobra a qual ela costuma repetir a frase: “Aqueles a quem Deus uniu que o homem não os separe”. Sentencia e alegremente fala: “Meu esposo é muito querido e amado, assim também, é nosso único filho: José Ennyo Pereira Mourato, de 28 anos, e agora o bem-querer é dobrado para com nosso netinho de 2 anos, o José Ravi Santos Mourato”.
“Escrevo nas diversas modalidades do Cordel sobre temas variados, normalmente, são glosas escritas a partir de motes diários criados pelos integrantes do ‘Clube da Poesia’ e/ou motes de minha autoria. Escrevo em prosa também, no entanto, em prosa não tenho trabalho publicado ainda. Já em versos há centenas de textos meus em livros publicados e/ou coletâneas, das quais posso citar, os Cordéis: ‘A História de Bernardo Vieira’ lançado em 2001 e ‘Padre Afonso, o Meio Ambiente e a Seca’ de 2016; Antologia ‘Literatura Pernambucana do sertão ao Cais’, da Academia Serra-talhadense de Letras; Antologia de Glosas pela Editora Soslaio - Santa Catarina; Participação em 8 Livros das Coletâneas do ‘Clube da Poesia Nordestina’ e diversos cordéis coletivos mundo afora”. Explica a criativa poetisa e escritora.
“Sim, Academia Literária Clube da Poesia Nordestina, presidida pelo poeta e produtor cultural Iranildo Marques de Serra Talhada – PE; Trovadores do Brasil, grupo de WhatsApp também com livro publicado, a 1° Edição do Concurso de Trovas; Cordéis Coletivos organizado e supervisionado pelo poeta e escritor José de Sousa Dantas de João Pessoa – PB; Programa Sabores de Vida, aos Domingos, apresentado por Wilson Godoy na Rádio Vila Bela FM; Grupo de WhatsApp Desafios Poéticos que também já teve sua I, II e III edição de Cordéis Coletivos publicados, nos quais tenho diversas glosas. Este grupo está no Spotify e já chegamos em 29 países”. Responde.
“Meu saudoso pai e minha inesquecível mãe, eles pouco sabiam ler, porém papai decorava e cantava cordéis como um tenor. Ah… Aquilo me encantava e como aprendi a ler muito cedo eu quem lia os cordéis para ele, contos de aventuraras, valentias, romances, etc. e sempre que ele ia à cidade, eu pedia para trazer cordéis novos, e aguardava ansiosa sua chegada com os livretos, os quais eu não me cansava de ler a luz do candeeiro, toda noite era uma diversão só, a família reunida na varanda, debulhando feijão para guardar nos silos e ouvindo as histórias dos cordéis lidos por mim”.
Para finalizar nossa entrevista deixe uma mensagem para o público leitor/leitora de nosso blog?
“A vida é feita de sonhos e cabe a nós torná-los reais. Nunca é tarde para realizarmos algo que queremos, a paciência, a perseverança e a fé são peças chaves nessa busca, e o segredo é jamais desistirmos antes da concretização do propósito”.
Palavras finais da poetisa e professora Adeilza Pereira, titular da Cadeira de número 06 na Academia Serra-talhadense de Letras, tendo como Patrono Castro Alves (1847-1871) que foi um dos últimos grandes poetas do Romantismo no Brasil.
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