ADEILZA PEREIRA: UMA MULHER/PROFESSORA/POETISA FEITA DE VERSOS E RIMAS

 

        A filha caçula do casal de agricultores Emídio Pereira Lima e Quitéria Antônia de Lima (falecidos), a vocacionada professora Adeilza Pereira Lima Mourato, nasceu aos quatro dias de setembro de 1968, na Fazenda São Domingos em Santa Rita (7° Distrito Rural de Serra Talhada – PE), numa simples casinha de taipa, a parteira chamava-se Joaquina, mas era conhecida por Mãe Quinô.

        “Sou oriunda de uma numerosa prole, sendo a 16ª filha de meus pais, onde somos 11 mulheres e 5 homens, Genelice, Luquinha, Maria de Lourdes, José, Maria, Manoel e Antônio já falecidos, e Genival, Bernadete, Severina, Aurelita, Maria das Graças, Elizabete, Gerino, Maria Aparecida e Eu, seguindo a peleja da vida”. Nos conta a sempre sorridente professora.

    Sua vida escolar começou um pouco tarde, por ser uma criança da roça, no entanto, por ter uma irmã professora, aprendeu a ler e a escrever em casa. “Minha irmã Severina, a Billa como é chamada me alfabetizou em casa, eu tinha pouco mais de 5 anos e devido não existir escola perto frequentei o grupo escolar Epitácio Pereira de Souza na Fazenda Prazeres (Distrito de Santa Rita) somente aos 9 anos de idade, lá cursei a 1° e 2° série como era chamada entre 1977/1978 com a professora que me alfabetizou, minha irmã Billa. 

    Já a 3ª até a 8ª série, estudei na Escola Municipal Barão do Pajeú no 2° distrito rural de Serra Talhada - Bernardo Vieira, no período de 1979 a 1984, quando concluí o primeiro grau, assim era chamado nesse período. Então, passei a estudar na sede do município, frequentando o renomado Colégio Municipal Cônego Tôrres, onde de 1985 a 1987, conclui minha primeira formatura no Magistério, me tornando professora do primário, meu sonho desde da infância”. Relembra a nossa entrevistada.

    No ano seguinte ela passou de aluna aplicada, à professora eficiente e ficou um tempo sem estudar, mas na vontade de fazer uma faculdade, o que veio a aconteceu em 2006. “Pois é, somente em 2006 iniciei a minha Graduação em Pedagogia terminando o curso em 2010, aí já emendei com a Pós-graduação: Licenciatura em Psicopedagogia, ambos pela Universidade de Pernambuco – UPE, Campus Petrolina”. Finaliza Adeilza sobre suas vivências como estudante exemplar.

        Ao lhe indagar sobre fatos curiosos e/ou engraçados que viveu na infância, ela relata:

“recordo-me com muita saudade da minha primeira boneca, foi meu saudoso e querido pai que comprou, eu tinha uns 7 anos de idade, até então, só brincava com bonecas improvisadas por nós feitas de sabugo, de retalhos/panos e boneca de milho tiradas na roça. Lembro que papai foi a cidade e trouxe essa boneca de plástico novinha, e ela chorava, como ela era linda”. Revela muito emocionada e continua… 

    “Nesta época a gente morava no Sítio Barreiras, município de Araripina, foi uma alegria sem tamanho, minha mãe fez uma roupinha, vestido e chapéu, eu queria que fosse calça comprida, porém, mamãe achava difícil fazer” (Risos). “Eu balançava a boneca e ela chorava, eu dizia: Tá vendo mamãe, escuta! A boneca está me respondendo que não quer vestido. Ela diz: calça comprida, prida, prida...” (Risos novamente).

    “Essa boneca de plástico que chorava virou a sensação da localidade, foi então, que resolvemos fazer a festa do batizado dela. Mamãe fez um lindo enxoval branco digno nota 10, chamou a vizinhança e debaixo de um enorme e frondoso juazeiro realizou-se a cerimônia, o padre foi o meu cunhado Nemézio, que vestiu uma batina, ele era esposo da minha irmã Bernadete que é conhecida como Irene, a mesa para o altar foi posta e ornamentada, teve também os padrinhos, porém não me recordo os nomes agora...” (Risadas e mais risadas) depois de uma tempo ela segue:

        “Eu era muito criança sabe, mas lembro... Eu com a boneca no colo orgulhosa e feliz, respondendo para o padre que o nome dela era Auricélia. Foi uma festa bonita teve comes e bebes e forró debaixo desse juazeiro. Fui criada na simplicidade, porém, nunca me faltou amor e afeto dos meus pais e meus irmãos. Como sou grata a Deus pela família que me deste, Senhor”.

        Adeilza é daquelas mulheres inquietas, hiperativas e resolutas, um tempo com ela e já se percebe que é feita de versos e poesias, mas não se enquadra somente em uma métrica e sim, em várias vertentes. Sobre sua atuação docente ela, por sua inquietude e vontade em realizar o melhor em prol dos discentes já contribuiu em várias escolas e projetos, principalmente na zona rural, seu campo de origem e lugar onde se sente mais a vontade para exercer sua vocação de educadora e poetisa afamada e premiada em diversos concursos.

        “Iniciei minha carreira no magistério em 1988 no grupo escolar José de Sousa Mangueira, construído na fazenda Jatobá de Bernardo Vieira. Em 1989 mudamos para Fazenda Prazeres, pertencente a Santa Rita e passei a lecionar no grupo escolar Waldemar Inácio de Oliveira, na Fazenda Barrinha. Já no ano de 1994, me casei e como meu esposo é natural de Bernardo Vieira, fui morar na Fazenda Cajazeira, (pertencente ao pai dele) e trabalhar na Escola Barão do Pajeú, onde tinha feito meus primeiros anos de estudos, uma alegria sem tamanho, ficando lotada ali, até 2006”.

        Mantendo seu espírito em constante atividade e fazendo mudanças, sempre na perspectiva de melhoras para si e para os seus, ela se muda com a família para Serra Talhada e passa a lecionar no Assentamento Paraíso, localizado na Fazenda Cacimba Nova pertencente ao território de Bernardo Vieira, na Escola Municipal Constância Pereira de França.

    “Ensinei por três anos nessa localidade e em 2010 fui transferida para a Escola Municipal Major Vieira Lima, na Fazenda Ipoeira no período da tarde, na qual trabalhei até o início de 2020. Entre 2010 e 2014 trabalhei no período da manhã no ‘Programa Estadual Mãe Coruja Pernambucana’, lotada na Escola Irnéro Ignácio”. Esclarece a honrada educadora e acrescenta:

    “Em 24 de julho de 2014 assumi o concurso público e fui trabalhar na Escola São Joaquim na fazenda Cacimbinha de Caiçarinha da Penha, 3º distrito rural de nossa cidade, já no ano seguinte (2015) me transferiram pra creche Sagrada Família no bairro Multidão, onde fiquei por um ano, então, fui colocada para lecionar na Escola Enock Inácio de Oliveira, justamente no território onde nasci (Santa Rita) na qual estou trabalhando até hoje”. Folga em dizer, pois cada mudança lhe traz novo aprendizado e torna sua vocação de educadora mais valiosa e desenvolvida.

    A jovem professora e poetisa Adeilza casou aos 25 anos com Jesus Mourato da Cruz em 30 de Janeiro de 1994, uma união conjugal de 30 anos, sobra a qual ela costuma repetir a frase: “Aqueles a quem Deus uniu que o homem não os separe”. Sentencia e alegremente fala: “Meu esposo é muito querido e amado, assim também, é nosso único filho: José Ennyo Pereira Mourato, de 28 anos, e agora o bem-querer é dobrado para com nosso netinho de 2 anos, o José Ravi Santos Mourato”.

    Sabendo que a Adeilza Poetisa escreve no mínimo uma glosa (versos feitos a partir de um mote) ou quadra por dia, veja bem, eu falei no mínimo, pois ela é feita de poesia dos pés a cabeça e tem hora que escreve inúmeras décimas, versos de cordel e poemas livres aos montes no mesmo dia/noite, Então pergunto qual sua veia Literária? Sobre o que escreve?

    “Escrevo nas diversas modalidades do Cordel sobre temas variados, normalmente, são glosas escritas a partir de motes diários criados pelos integrantes do ‘Clube da Poesia’ e/ou motes de minha autoria. Escrevo em prosa também, no entanto, em prosa não tenho trabalho publicado ainda. Já em versos há centenas de textos meus em livros publicados e/ou coletâneas, das quais posso citar, os Cordéis: ‘A História de Bernardo Vieira’ lançado em 2001 e ‘Padre Afonso, o Meio Ambiente e a Seca’ de 2016; Antologia ‘Literatura Pernambucana do sertão ao Cais’, da Academia Serra-talhadense de Letras; Antologia de Glosas pela Editora Soslaio - Santa Catarina; Participação em 8 Livros das Coletâneas do ‘Clube da Poesia Nordestina’ e diversos cordéis coletivos mundo afora”. Explica a criativa poetisa e escritora.

    Além da Academia Serra-talhadense de Letras, faz parte de alguma outra entidade cultural?

“Sim, Academia Literária Clube da Poesia Nordestina, presidida pelo poeta e produtor cultural Iranildo Marques de Serra Talhada – PE; Trovadores do Brasil, grupo de WhatsApp também com livro publicado, a 1° Edição do Concurso de Trovas; Cordéis Coletivos organizado e supervisionado pelo poeta e escritor José de Sousa Dantas de João Pessoa – PB; Programa Sabores de Vida, aos Domingos, apresentado por Wilson Godoy na Rádio Vila Bela FM; Grupo de WhatsApp Desafios Poéticos que também já teve sua I, II e III edição de Cordéis Coletivos publicados, nos quais tenho diversas glosas. Este grupo está no Spotify e já chegamos em 29 países”. Responde.

    Realmente, seu potencial criativo na poesia é digno do ISO 9001, tanto pela cadência dos versos, quanto pela quantidade e qualidade das informações trazidas em cada texto escrito, és sem sombra de dúvidas uma mulher/poesia. Diante de sua grandiosa obra e história de vida, tem alguma pergunta que eu deveria ter feito e não fiz? “Houve sim, gostaria que tivesse me perguntado, o quê ou quem me incentivou a escrever cordel?” Ótimo! E qual é a sua resposta?

    “Meu saudoso pai e minha inesquecível mãe, eles pouco sabiam ler, porém papai decorava e cantava cordéis como um tenor. Ah… Aquilo me encantava e como aprendi a ler muito cedo eu quem lia os cordéis para ele, contos de aventuraras, valentias, romances, etc. e sempre que ele ia à cidade, eu pedia para trazer cordéis novos, e aguardava ansiosa sua chegada com os livretos, os quais eu não me cansava de ler a luz do candeeiro, toda noite era uma diversão só, a família reunida na varanda, debulhando feijão para guardar nos silos e ouvindo as histórias dos cordéis lidos por mim”.

    “Aquelas narrativas me encantavam e eu sonhava em um dia ser escritora e cordelista. Meu pai era amante do cordel e a minha mãe amante da cantoria, foram eles os maiores incentivadores para que eu descobrisse e ingressasse neste mundo mágico da poesia que me encantava na infância e me encantará sempre, sou uma eterna apaixonada pelo Cordel, pela literatura e pela cultura no geral”. Pergunta e resposta salutar sabia professora e mestra da poesia popular.

    Para finalizar nossa entrevista deixe uma mensagem para o público leitor/leitora de nosso blog?

“A vida é feita de sonhos e cabe a nós torná-los reais. Nunca é tarde para realizarmos algo que queremos, a paciência, a perseverança e a fé são peças chaves nessa busca, e o segredo é jamais desistirmos antes da concretização do propósito”.

    Palavras finais da poetisa e professora Adeilza Pereira, titular da Cadeira de número 06 na Academia Serra-talhadense de Letras, tendo como Patrono Castro Alves (1847-1871) que foi um dos últimos grandes poetas do Romantismo no Brasil.


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