FREVO, GINGADO, FOLIA E SAUDADE, MARCAM OS 30 DE CARREIRA DE GIL DO PASSO
Esse acontecimento o levou a descobrir e a se encantar pelo passo do frevo, transformando-o no fio condutor de sua vida. Ele está no frevo, e o frevo está nele, feito molécula, célula vital para sua existência, fazendo seu coração pulsar forte em cada apresentação, em cada aula recebida e/ou ministrada, em cada nova pessoa que executa um ou mais das centenas de passos possíveis da dança do frevo, tornando-se multiplicadora do passo.
Sua entrada na Escola Municipal de Frevo do Recife, hoje Escola Maestro Fernando Borges, ocorreu em maio de 1996. Ou seja, Gil “Tramela”, como foi apelidado inicialmente, celebra o marco de 30 anos dedicados ao aprendizado, à dança, ao ensino e à salvaguarda desse ritmo tão pernambucano quanto ele.
Sobre o mestre — embora prefira ser chamado de professor —, sua ex-aluna Magdala Leite relata:
“Falar de Gil é muito fácil! Conheci-o em um projeto cultural de frevo, em 2002, e logo ficamos amigos. Ele é uma pessoa muito doce e gentil. Somos amigos até hoje; são 24 anos de amizade firme. O método de frevo aplicado por ele vem, sim, de Nascimento do Passo, mas costumo dizer que ele tem seu jeito exclusivo. O gingado e a munganga são bem autênticos.
Desconheço passista mais bairrista e disciplinado. Muito bem-quisto pelos amigos e conhecido por todos no meio artístico. Quando ele dança, todos param para admirá-lo. Sinto-me privilegiada por ser fã e amiga. Sou amiga de toda a sua família, inclusive! Já estivemos em muitos eventos carnavalescos. A alegria e a descontração estão sempre presentes nesses momentos. Costumo dizer também que Gil é diferente de qualquer ser humano que conheço pela disciplina com a dança, pela gentileza, pela calmaria, por ser um amigo fiel e, também, um pai extremamente amoroso.”
O projeto citado por Magdala chamava-se Projeto Expresso Arte e Cultura, funcionando no bairro de Maranguape I, na cidade de Paulista, entre 2002 e 2005, resultando na criação do grupo de frevo PEAC – Pernambuco no Passo. Ela tinha apenas 12 anos quando passou a frequentar as aulas e, segundo relata Gil do Passo, destacou-se bastante.
Já no Sertão do Pajeú — onde o passista morou em Serra Talhada por dez anos —, ele arregimentou diversos multiplicadores do passo, moldados sob a metodologia desenvolvida por seu saudoso mestre, Nascimento do Passo, a qual transmite de forma categórica aos seus alunos e passistas.
Uma de suas renomadas aprendizes, do sertão para o mundo, é Branca Souza. Ela nos traz um belo relato sobre seu aprendizado com Gil:
“Conheci Gil em 2015, quando ele ministrava aulas de frevo para crianças na Praça Lampião, em Serra Talhada (PE), por meio do Projeto SerTão Frevo. Passava frequentemente pelo local e fui percebendo a evolução das crianças na execução dos passos. Ficava encantada. Posteriormente, ele chegou à Fundação Cultural Cabras de Lampião (FCCL), da qual sou integrante, para ministrar uma oficina de danças populares, trazendo consigo vivências do Caboclinho, do Cavalo-Marinho e do Frevo. Lá coordenou o Ponto de Cultura Mistura Pernambucana e o Pastoril de Maria. Seu trabalho de salvaguarda do frevo proporcionaram aos artistas do Sertão do Pajeú uma forma completamente diferente de enxergar esse ritmo.
Sou uma das alunas contempladas por esse curso e posso afirmar, com convicção, que as aulas do professor Gil foram um divisor de águas em minha trajetória como artista e professora de danças populares, trabalhando diretamente com o frevo. Frequentei todos os cursos e me apresentei como passista convidada em suas aulas-espetáculo, do sertão ao litoral.
Gil é um grande mestre da cultura popular. Seu trabalho de salvaguarda do frevo é fundamental para manter viva essa tradição, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Roguemos ao universo 30 vezes mais 30 anos de carreira para o nosso mestre passista Gil.”
Outro fiel discípulo de Gil, é Edilson Leite de Araújo, a quem o mestre apelidou de “Sete Molas”. Ele é disciplinado e possui um corpo flexível e maleável, executando com leveza e maestria os mais variados passos de frevo:
“Gil foi uma das melhores pessoas que já passou pela minha trajetória artística, com ele eu pude mergulhar na essência do verdadeiro significado das nossas manifestações populares, principalmente o frevo, nosso ‘cartão postal Pernambucano’. Ele aumentou o meu nível de conhecimento tanto prático como teórico.
Há muito o que dizer sobre alguém com uma trajetória tão longa, brilhante e necessária para manter o frevo presente nos 365 dias do ano, e não apenas durante o período carnavalesco. Desde sua primeira aula como aluno até os dias atuais, ministrando aulas nos mais diversos espaços e se apresentando nas ruas e para além delas, o brilho no olhar, a energia, a paixão e a magia sentidas ao executar um passo de frevo permanecem como se ainda fosse maio de 1996.
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