A
nossa entrevistada da vez, é
mãe da graciosa Açucena, a jovem artista Laísa Magalhães, que nesse mẽs completa 10 anos de atividades no campo da arte e da cultura. Despontando de forma marcante no cenário artístico de Serra Talhada, mostrando seu
profissionalismo e ampliando seu currículo cultural. Sua presença,
seus talentos, sua trajetória, seu carisma, sua tenacidade e outras
particularidades serão reveladas, em um conversa franca, sapiente e
descontraída.
A
jovem, artista,
mulher,
mãe...
Laísa
Gomes Magalhães, é
natural
do município
de
Ipubi, Sertão
do Araripe, a cerca de 581 quilômetros
da Capital pernambucana. Porém, o
seu
registro de
nascimento
se fez em Araripina, devido a falta de estrutura da cidade, onde seus
pais: Marta
Betania
Pereira
Gomes
Magalhães
e
Renato
Pereira
Magalhães.
A
família
é formada por 3 irmãos:
Letícia, Leonardo e Laísa,
a
terceira filha do casal, tendo vindo à
luz do mundo no dia
22 de dezembro de 2002, um domingo, sob o signo de capricórnio,
talvez daí
venha sua firmeza, praticidade,
foco e paciência.
“Meu
irmão sempre foi um
grande
incentivador, em todos os âmbitos da
minha
vida.
Tenho
nele,
além
de
ser irmão mais velho, um
confidente.
Digo sempre que ele é meu melhor amigo”.
Ressalta.
Ao
perguntar quem é Laísa?
Ela nos responde de forma categórica e sem pestanejar: “Laísa
é um fruto do Sertão, produtora cultural, dançarina e atriz. Filha
de Oxum, mãe de Açucena, uma mulher que caminha sabendo que há
quem guie seus passos. Sou filha de Marta, neta de Maria e de
Mariquinha. Alguém que trilha o caminho buscando honrar a
ancestralidade, a força de tudo que antecedeu a
sua
chegada. Sou o fruto da minha coragem, resultante do que temo. Um
estado de presença entre aquilo que almejo e a teima em conseguir”.
Sobre
seus primeiros
passos no ensino regular, ela diz ter começado na Escola Irnero
Ignacio, onde cursou o Ensino Fundamental I. A virada de chave,
porém, aconteceu no Colégio Municipal Cônego
Torres, foi nesse educandário
onde aconteceu
o seu despertar artístico. O ensino médio
ela concluiu na Escola Cornélio Soares.
“Sempre
fui uma criança tímida, introvertida e, na vastidão da biblioteca
do colégio Cônego
Torres,
busquei conforto nos livros. Com o programa “Mais Educação”,
participei também de aulas de desenho e percussão. O
cenário
muda de fato, quando comecei a participar de atividades extra
curriculares, como o “Projeto Afro” e “Chamado da Terra”, que
abordavam a história e cultura dos povos originários. Através da
dança, enxerguei uma possibilidade e nela mergulhei”. Relembra
a conceituada artista e acrescenta:
“O
Colégio
supra citado,
tem um espaço muito especial no meu coração, pelo processo de
construção identitária que lá iniciei. No ensino médio, através
do “Programa Ganhe o Mundo”, do governo do Estado de Pernambuco,
tive a oportunidade de morar, por quatro meses na Nova Zelândia.
Conheci o povo “Maori”, que possuem traços culturais marcantes,
e tendo mais uma vez este contato
com os povos indígenas, desencadeou uma vontade de pertencimento
a tudo que existe em casa, no meu país, na minha terra.
Buscando
uma perspectiva analítica social, ela ingressou no “Bacharelado em
Economia”, na UFRPE/UAST, no ano de 2022. Contudo, não se
identificou com os conteúdos
e métodos dessa graduação, deixando de lado naquele momento o
ingresso no curso superior. Após a maternidade, nesse ano de 2026,
fez seu retorno ao âmbito Acadêmico
no
curso
de
Psicologia, na Autarquia Educacional de Serra Talhada – AESET. A
jovem e talentosa artista diz ser
solteira
e mãe de uma flor chamada Açucena. “Minha
filha completará três anos agora em setembro. É
a luz
que irradia meus dias.
Sentencia, a mãe
coruja.
Sobre
sua carreira profissional no campo das artes e da cultura, ela nos
revela:
“acredito
nas Artes Cênicas como um todo, gosto de explorar a versatilidade de
tudo que me é proporcionado e, que me proporciono. Tenho um fascínio
pela dança, porque através dela consegui me enxergar enquanto
corpo. O êxtase alcançado ao sentir a música ganhando corporeidade
através dos movimentos. O teatro é
uma
paixão antiga.
Mantido como
algo sacro
e
de
difícil
acesso, mas tenho me permitido desconstruir esse conceito, entendendo
que existe a possibilidade,
que
o
meu
fazer
artístico
promove
muito
dele,
também.
Ser
muitas
dentro de uma só, fantasiar, trazer o lúdico para a realidade e
vice-versa. Essas duas linguagens, principalmente, são as
encantarias que trazem alegria aos meus dias”.
Expressa-se, fazendo referencia a sua atuação
enquanto dançarina e atriz.
“Minha
trajetória se concretizou através do Grupo de Danças Gilvan
Santos, onde ingressei no mês
de
agosto de 2016. ali tive a honra de ser aluna de Gorete Lima, a quem
tenho profunda estima e admiração. Após isso, passei a participar
do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, em 2019 a convite de Cleonice
Maria. Todas as dançarinas do grupo representam uma cangaceira no
espetáculo.
Entrei interpretando a “Mocinha”, companheira do cangaceiro
Cirilo e desde 2021, interpreto a personagem Maria Bonita, fiz essa
estreia após
o cenário
pós-pandêmico”.
Ressalta sobre o seu inicio de trajetória
como profissional da dança. Ainda
no campo da atuação artística, pergunto
em quantos
e
quais
espetáculos
de
danças,
de
teatro
e
filmes
ela já
atuou?
“Grupo
Mistura Pernambucana, coordenado por Gil Silva, como dançarina nos
espetáculos “Alpercatas e Sombrinhas” e “Versos e Passos”,
atuando neste último,
também
como
Rosinha,
personagem
que
declama
versos
entre
as
danças,
sobre o ritmo a ser apresentado. Cita,
se referindo aos espetáculos
de danças nos quais atuou e atua constantemente.
Sobre
sua atuação
em teatro, ela nos
conta de sua participação
na comédia
“A
Chegada
de
Lampião
no
Inferno”,
“Jesus Sertanejo – A Paixão de Cristo” e “O Massacre de
Angico – A Morte de Lampião”. No audiovisual, esteve em 2025 com
parte do elenco do grupo de Xaxado Cabras de Lampião,
em Petrolina/PE, participando do filme “O Tempo e a Faca”, um
texto de Ruy Barbosa e direção de Diogo Oliveira. Sua formação
é contínua, com participação em cursos e oficinas em diversas
manifestações artísticas, se reciclando e ampliando seu campo de
atuação. “Para
além
da dança, tenho
hobbies, apesar de quê
algumas práticas se perdem no correr dos dias e da dominância da
rotina. Gosto de escrever, colocar o que sinto em palavras, quando é
possível. A Poesia me encanta, a literatura de cordel é algo que
teimo em aprender, apesar que a métrica é um desafio. Desenhar já
foi uma prática, hoje em dia adormecida. Nutro momento, uma paixão
por fotografia e sempre que possível, a coloco em prática. Meu
quotidiano é
corrido”.
Desde
2024, ela desenvolve trabalhos na área da comunicação e
publicidade,
encontrando
novas
possibilidades
de
colocar
o
seu
“carisma”
para
jogo.
Também
atua na área administrativa da produção cultural, seja como
produtora ou assistente de produção.
Peço
que nos conte
um
fato
curioso/peculiar/inusitado
de
sua
carreira
artística
e prontamente ela nos revela: “em
2019, participei de uma oficina de frevo no Museu do Cangaço e
surgiu a provocação
para colocar em apenas uma palavra o que a dança significava para
cada participante. À época, respondi que era “sobrevivência”.
Hoje, diria que, para além do sobreviver, a dança me faz viver.
Coloco a dança nesse balaio que carrego para cima e para baixo como
profissão.
O fazer artístico é responsável por me nutrir e sustentar. Fiz do
que muitos chamam de “hobbie”, meu ofício principal. Atualmente
posso afirmar que nessa trajetória
encontro a sensação de pertencimento. Aqui alcancei a plenitude de
sentir-se inteira. É
neste espaço que me permito ser de verdade eu mesma”.
Para
finalizar nossa entrevista, que
mensagem
deixa
o(a)s
leitore(a)s
do Blog?
“Gonzaguinha
cantou: “Eu fico com a pureza da resposta das crianças”, e é
nessa
pureza que encontro muito do sentido de caminhar pela arte. A
infância é um berço sagrado, onde nascem os primeiros sonhos,
afetos e possibilidades de enxergar o mundo. Carrego muito do que fui
naquilo que sou. Um fruto não nega sua raiz, apesar de quão longe
esteja. Deixo aqui a mensagem de que não devemos perder a capacidade
de sonhar, de se encantar. A arte cura. A cultura salva.
Ser artista é
fortalecedor,
cria identidades
e
abre
caminhos.
Educação
e
cultura andam de
mãos dadas. Educar também é ensinar a sentir, pensar, criar e
reconhecer a própria história. Que nunca esqueçamos de olhar para
nossas raízes e acreditar na força transformadora da arte. Afinal,
todo caminho começa em algum lugar, quase sempre na infância”.
Que
esses 10 anos de trajetória
profissional nas artes se multipliquem por 70 vezes 7. Vida longa e
prospera para ti. Avante, vida que segue... Evoé!
Por
Carlos Sett
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